2ª AURORA · O RETORNO
O retorno nunca foi para outro lugar
“O retorno não nos leva para outro lugar. Ele nos devolve ao lugar onde sempre estivemos, mas que, por algum tempo, deixamos de habitar.”
Depois que algo desperta em nós, nasce um convite silencioso.
Voltar.
Não voltar para quem éramos.
Nem para um tempo em que tudo parecia mais simples.
O retorno de que falamos nesta Aurora é outro.
É o movimento de voltar para si.
Ao longo da vida, é natural que nossa atenção seja conduzida para fora.
Aprendemos a responder às expectativas, cumprir responsabilidades, resolver problemas e acompanhar o ritmo do mundo.
Pouco a pouco, podemos nos tornar muito presentes para tudo o que acontece ao nosso redor, enquanto nos afastamos daquilo que acontece dentro de nós.
Esse afastamento raramente acontece de uma única vez.
Ele acontece aos poucos.
E, justamente por isso, o retorno também costuma ser um caminho delicado.
Reconectar-se consigo mesmo não significa fechar os olhos para o mundo.
Significa voltar a perceber a própria experiência enquanto a vida continua acontecendo.
É sentir o corpo quando ele pede descanso.
É reconhecer uma emoção antes que ela se transforme em peso.
É ouvir a própria intuição sem que ela precise gritar para ser notada.
O retorno não nos leva para outro lugar.
Ele nos devolve ao lugar onde sempre estivemos, mas que, por algum tempo, deixamos de habitar.
Talvez seja por isso que tantas pessoas descrevam esse caminho com uma palavra simples.
Casa.
Não porque encontraram algo novo.
Mas porque começaram, pouco a pouco, a voltar para si.
