3ª AURORA · A ESCUTA
Toda verdadeira escuta começa quando diminuímos o ritmo
“A verdadeira escuta começa quando diminuímos o ritmo e passamos a perceber aquilo que sempre esteve presente, mas era encoberto pelo excesso de ruído.”
Depois de despertar e retornar para si, nasce um novo convite.
Escutar.
Pode parecer algo simples.
Afinal, passamos a vida inteira ouvindo sons, palavras e acontecimentos.
Mas existe uma diferença entre ouvir o que acontece ao nosso redor e escutar aquilo que deseja ser compreendido.
A verdadeira escuta começa quando diminuímos o ritmo suficiente para perceber aquilo que sempre esteve presente, mas era encoberto pelo excesso de ruído.
Esse ruído nem sempre vem do mundo.
Muitas vezes, nasce dentro de nós.
São os pensamentos que não descansam.
As preocupações que ocupam todo o espaço.
As expectativas que tentam responder antes mesmo que a vida termine de perguntar.
Pouco a pouco, deixamos de perceber o que sentimos.
Deixamos de notar o que o corpo comunica.
Deixamos de reconhecer a delicadeza da intuição.
A escuta nos convida a fazer o caminho de volta para esse lugar.
Não para encontrar respostas imediatas.
Mas para criar um espaço onde elas possam surgir no seu próprio tempo.
Escutar não é controlar o silêncio.
É aprender a permanecer com ele.
É confiar que nem tudo precisa ser compreendido no instante em que acontece.
Há verdades que chegam como palavras.
Outras chegam como uma sensação tranquila.
Outras ainda se revelam apenas quando permanecemos presentes tempo suficiente para percebê-las.
Talvez seja por isso que a escuta transforme tanto a nossa relação com a vida.
Ela nos lembra que nem sempre precisamos falar mais.
Às vezes, o que realmente precisamos é aprender a ouvir com mais inteireza.
E toda grande escuta começa da mesma forma.
Com alguém disposto a estar verdadeiramente presente.
